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Comédias do Século Passado - #1: A Revolução é Sempre Amanhã

13 FEV 2019
13 de Fevereiro de 2019

O cheiro de haxixe e azeite de oliva no quartinho/casa era uma criatura ondulante. Zagor e Mulo jogavam xadrez recitando Baudelaire em francês. Não eram eruditos esnobes ou esnobes querendo parecer eruditos para os presentes no local. Era a anfetamina migrando micro pandemônios em seus corpos e cérebros fantasmagóricos. Os olhos todos eram satélites e umas preces para LOVECRAFT eram entoadas num cantinho escuro por duas musas e duas musas/moços. Eu furava o braço e enchia os copos. A energia bruta pairava entre nossos espectros. Qual forma tínhamos agora? Eu me fundia a um Preto Véio e beijava Mulamba nos lábios de Régis ou Regina (IRMÃOS GÊMEOS). Depois, em outro lábio que não sei o nome. Nunca soube. Só sei que nos dias que agora se desfazem está morto. Naquele dia, só ele tinha uma arma. Mas eu cortei meu braço. Do punho ao cotovelo para marcar território. Urinar teria sido cosmopolita demais. Coquetéis Molotov eram produzidos ali, entre amassos e resmungos. E o céu era transmitido por uma TV quebrada direto pra nossas almas/crânios pela voz de Mark E.Smith que nos agourava. A revolução é sempre amanhã.







Everton Luiz Cidade é escritor, poeta e musico. Integra as bandas Sileno,Siléste e Dora Maaar. Publicou os livros Santo Pop, QUIÒ e Aparecida além de inúmeros zines. Escreve também para os jornais Seguinte ,No Palco e para os blogs da Radio Armazém e Rockpedia.

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