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Pra ser Entendido e Entender Alguém – Um papo com Moisés Lopes, da Tomate Seco

16 JAN 2019
16 de Janeiro de 2019

Moisés Lopes é um homem santo a sua maneira. Como os homens que se tornam santos por estarem loucos e verem na loucura o combustível para o seu fogo. Compositor de barulhos grunge e letras viscerais, ele segue entre tratamentos pra ansiedade e shows contundentes com a Tomate Seco (que tem como integrante, além do baterista Luciano Muniz, Guilherme Théo, um dos maiores poetas underground, no baixo). Moisés carrega consigo e expõe em sua arte, tanta dor e indignação com tudo e todos, que nos chega ser incômodo, como a arte verdadeira deve ser. A Tomate Seco é de Sapiranga, mas ela é nossa!

A Tomate Seco é uma das poucas bandas reais atualmente. O fato de vocês realmente lidarem com o que cantam/escrevem, como depressão, alienação familiar, farras, desilusões da vida adulta, atrapalha pra Tomate ter uma estabilidade, ou não?

Agradecemos o elogio, pois somos uma banda que acredita que para ser de verdade, tem que viver o que se prega nas letras e atitudes.
Quanto a nós realmente lidarmos com o que cantamos, é uma boa percepção sua. Muitas vezes, por levar muito a sério o estilo de vida que pregamos nas letras, isso acaba por nos atrapalhar. Essa dicotomia nos torna escravos do nosso “modelo de vida”.  Nossos altos e baixos acontecem de forma muito rápida e sempre estamos nos deparando com dificuldades no entendimento familiar, em relação a nosso, digamos, “estilo de vida mais acelerado”.


Qual foi o ponto chave que te fez querer ter uma banda?

No meu caso, foram tantos fatores, mas, talvez, os principais sejam estes: o glamour que eu enxergo até hoje em estar no palco tocando, as lindas bandas que vi apresentações (que, se fosse citar uma por uma, cometeria alguma injustiça), protestar contra injustiças (eu queria muito fazer isso), além da minha vontade de falar as coisas que eu sinto, sem soar tão brega, estar com os amigos realizando algo importante e ao mesmo tempo tomando vinho, cerveja e vodka (sem ficar louco, é claro!), poder tocar com pessoas que sempre admirei e me sentir admirado por elas (isso é muito importante) e, por último, talvez, seja a possibilidade de ser entendido e entender alguém (isso é muito bacana!).

Foto: Tomate Seco na Virada Cultural São Lepoldo


Tuas letras descrevem os que estão a tua volta. Já teve algum atrito com alguém incomodado com isso?

 Que eu lembre, agora no momento, não. A gente sempre acaba escutando muitos elogios, o que é de se desconfiar. O que aconteceu de atrito é mais com a banda, aquela coisa de dizerem que não sabem tocar. Mas essas conversas, sempre chegadas por terceiros, nunca diretamente. Eu até entendo, porque houve algumas apresentações da Tomate que, realmente,  foi complicado até para subir no palco. O pior, ou melhor, de tudo isso é que a gente sente meio que um orgulho disso, sempre quando lembramos damos várias risadas. A Tomate não curte muito essa história de banda de rock certinha e politicamente correta. Isso, para nós, não se chama banda e sim conjunto.


Quais são as influências de Moisés Lopes como compositor?

O próprio que me faz a pergunta, bandas da região, amigos, escola,  faculdade, política, drogas licitas e ilícitas, problemas sociais, relacionamentos e movimentos de rock alternativo.

Quando teremos material da Tomate Seco pra ouvirmos em nossas festinhas desregradas?

Pois é! Bom esse atraso todo do material sair é culpa minha, acabei passando por uma fobia social muito grande, onde praticamente dos 7 dias da semana 6 eu passava no quarto e o máximo que saia era para ir ao banheiro. Tive crises de ansiedade muito forte, de levantar a pressão arterial, de ter zunidos no ouvido e sentir que estava morrendo mais rápido que o normal. Mas agora, com o novo tratamento que estou seguindo, praticamente, à risca, me sinto melhor e acredito que logo, logo, poderemos realizar esse lançamento e com algumas surpresas em relação a formação da banda.

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Por Cidade
Fotos: divulgação


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