Menu

Entrevista com Rui Filho - Após um descanso, o vôo da Albatroz à Beira Mar

09 JAN 2019
09 de Janeiro de 2019

Rui foi vocalista, letrista e compositor da banda Bloco (que encerrou recentemente suas atividades). Rui estava lá desde o início. RUI tem uma bela voz e uma verve simples e bonita em suas composições, que transitam entre um Radiohead do início, Muse, Gram (lembram?), Pública e o new rock dos anos 2000.
Nessa entrevista ele fala sobre o underground e de seus novos projetos.

Teve algum acontecimento chave que te fez querer ter uma banda?


Na época em que comecei a tocar e me juntei com amigos (há aproximadamente 15 anos), fazíamos covers de Replicantes para brincarmos, mas então logo conheci bandas do underground da região que faziam música própria, como Viana Moog; Blanched; Sensifer e Bleff. Me encantei com a poesia bruta; riffs e microfonias. Então, posso dizer, que esse foi o acontecimento chave que me influenciou a formar os primeiros acordes e rabiscar as primeiras palavras.

Te acho um letrista muito bom e eficaz e tuas melodias são muito bonitas. Como é o teu processo de composição?

Agradeço de coração por suas palavras. O meu processo de criação tem diversas formas, não segue um padrão: tem momentos em que tenho uma ideia que fica latejando e preciso escrever toda letra primeiro, para depois pegar o violão e elaborar a música; tem momentos em que surge uma melodia na cabeça, e então preciso pegar o violão para elaborar os acordes e escrevo a letra posteriormente. Geralmente, a base de criação vem do violão, mas como não fazemos nada sozinho, junto com a banda em estúdio lapidamos a pedra bruta. Ultimamente, posso dizer que tenho uma inclinação em escrever letras mais impessoais, fotografias sociais. Me agrada muito escrever sobra as belezas e as feridas da vida moderna.

Pra ti, no teu mais íntimo, qual foi o legado da Bloco?

Com certeza, o legado da Bloco foi lançar o álbum “Buzinas & androides”, mesmo que apenas virtualmente: ele conta toda a história da banda de 10 anos, com canções que foram gravadas no início e também que foram gravadas ao fim da banda. E também posso destacar sobre as amizades feitas, já que passaram inúmeros integrantes, e parceria com as outras bandas, mesmo nos momentos de intensa atividade, como em momentos de exílio.

Pode já abrir sobre teus projetos novos?

Certamente! Atualmente, junto com amigos músicos, fundei a “Albatroz à beira mar”. Mas este pássaro ainda é bem filhote. Estamos em laboratório para entrosamento e definições de composição e arranjo, mas logo mais estaremos em estúdio e espero estar lançando um single neste ano mesmo, para apresentar o novo filho.

O underground entristece e revigora ou alegra e revigora?

Ótima pergunta! Eu diria que o underground entristece, revigora e alegra. Há desapontamento, sim, em algumas ocasiões, em algumas relações desgastantes. Mas, ultimamente, procuro não mergulhar nisso. Quando a utopia de “viver de música” é substituída pela virtude de “Viver com a música”, de fazer arte pela arte, conseguimos lidar melhor com todas essas relações.

Voltar

Confira as nossas redes sociais

Tenha também o seu site. É grátis!