Menu

Olívia de Amores visita os mistérios do mundo abissal em novo clipe

03 NOV 2018
03 de Novembro de 2018

Como uma nova espécie ao ser descoberta em um habitat solitário, Olívia de Amores foge, aflita e arisca. Esse é o mote do vídeo de “Abisso”, novo single da artista manauara que fará parte do álbum de estreia. O disco será lançado entre fevereiro e março de 2019 e contará com vídeos para todas as faixas.


O álbum se chama “Não é Doce” e tem produção musical de Bruno Prestes e masterização do americano Steve Fallone, responsável pelo álbum “Room On Fire”, do Strokes. O trabalho é uma grande revisitação à memória da artista. Por ser extremamente pessoal, os instrumentos têm sido gravados exclusivamente por ela.

“Eu fiz essa música há 10 anos e ela foi uma das primeiras vezes que notei que a imagem compunha as canções que fazia, o que motivou o álbum visual. Eu compus de um modo bem novo na época para mim: primeiramente imaginei como era o abisso, região mais profunda do oceano, e depois traduzi essa imagem em melodia. Tinha lido sobre essa região e imaginei como seria viver onde a luz e o calor não chegam, sob uma pressão absurda, condições quase impossíveis de sobrevivência, pouca comida, pouco oxigênio. Pensei nas criaturas abissais e todo o mistério que envolve o fundo do oceano. Muitas vezes, a gente tem esse sentimento meio abissal, de se sentir vazio, isolado e bizarro como aquelas criaturas”, reflete Olívia.

A artista ganhou reconhecimento na cena independente amazonense com o trio Anônimos Alhures, com quem tocou e cantou por 10 anos. Mas desde a adolescência ela passou a guardar algumas canções na gaveta e notou que tinha um caminho criativo diferente por vir.

Em 2013, a Olívia de Moraes começou a se tornar Olivia de Amores quando ganhou um impulso com um prêmio da Secretaria de Cultura do Amazonas, pelo roteiro que elaborou para a música “Plano Baixo”. Esse foi o primeiro passo e primeiro single solo da artista.


Mas tudo mudou no fim de 2016 e começo de 2017, quando a vida de Olívia virou de cabeça pra baixo. Após uma sequência de perdas, especialmente da morte da bisavó, ela passou a questionar seus rumos e, como parte da terapia, trancou-se em estúdio com o produtor e decidiu fazer um álbum. Nos tempos que tinha fora do estúdio, passou a escrever roteiros e conceitos visuais para aquelas músicas.

A já lançada “Post-it” é um contraponto ao espírito de “Plano Baixo” e fala abertamente desse processo de reconstrução e inspiração após as perdas. O clipe foi registrado durante o período de um ano, filmando um segundo importante de cada dia. O vídeo de “Abisso” vem somar a esses lançamentos.

“Eu quis recriar o ambiente do abisso no sentido humano da solidão. Acho bonito o fato de muitas dessas criaturas, por não terem contato com a luz, adaptaram-se e emitem a própria, clareando o ambiente em que vivem. São seres estranhos e iluminados. O eu-lírico da faixa é uma personagem cruel, que também é vítima de sua escuridão e frieza”, explica ela.


Por: Nathália Pandeló Corrêa
Foto de postagem: David Martins
Foto no blog: Giulia Alves

Voltar

Confira as nossas redes sociais

Tenha também o seu site. É grátis!