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Turquesa é a cor da poesia de Rita Portella

19 OUT 2018
19 de Outubro de 2018

Poesia é desejo. E, tal qual desejo, não se explica poesia.  É a linguagem usada por Mercúrio em suas mensagens velozes. O poeta pode ser explicado,mas não a poesia. Eu creio que o poeta faz parte de sua obra tanto quanto o que ele escreve. EX: Ginsberg e Hilda Hilst. Como separar o que eles eram e como agiam\viviam de sua obra? Assim, também, Rita Portela nos apresenta sua poesia. Visceral, uterina, ébria, contestadora. Acertando e errando atrás da grande iluminação, da grande alegria, do grande gozo, do grande amor. Sendo mãe e sendo filha. Sendo humana – mundanamente humana. Sendo mulher em toda graça e coragem que É ser mulher. Nunca, negando o amor e o sexo, mas tendo-os como combustível para o seu fogo místico.
Rita Portella é uma mística em suas dúvidas. E saca o que Blake falou sobre sabedoria e excessos. A cada conversa que tenho com ela, a vejo mais próxima dela mesma, no seu mais íntimo e fulgoroso. Grande poeta. Corajosa experimentadora.

“Sou só aprendiz da mulher que sou
Além das lembranças do que
Acreditava ser ou seria
Sou uma hera de poesia
Que sobe muito alto na parede
Sou quem vai crescendo na direção do sol
Sem deixar de ser a construção
Mas antes disto fui somente o chão”


Esse belo poema se chama Aparte. Nele está contido o que mais admiro na poesia da Rita. O ver-se sem filtros ou puritanismos sociais. O saber do chão pra chegar ao sol. Rita sabe que “existem feridas noutras partes do mundo”, mas que através da própria ferida ela se realiza como poeta.
Encomendem ANTIMATÉRIA HEMATOPOÉTICA com a autora. Convidem-na para uma leitura de poesia. Se o fizerem serão gratos a sua existência.

Fotos:
Rita Portella by Denelise Figur
Autoselfie de Rita Portella


Everton Luiz Cidade é músico e escritor. 
Publicou os livros: Santo Pó/P, O Bonde Transmutóide, QuiÓ e ApareCida.

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