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Aquele All Star Azul estilo botinha deixou pegadas na areia da minha vida

23 ABR 2018
23 de Abril de 2018

Época boa foi à faculdade...

Achou à coruja bonita...

Então espera...

 

Hoje, pra você que lê esse texto, é segunda-feira. Ou qualquer outro dia da semana. Não sei quando ele vai ser lido. E nem por quem. Pra te situar no contexto da história, eu estava caminhando na rua sábado à tardinha depois da chuva. Tenho pavor de ficar em casa final de semana. Parece castigo de criança. Passando pela Presidente Vargas, já era quase noite, vi num carro uma menina de faixa “hippie” na cabeça e de óculos. Lembrei-me de uma história do meu tempo de universitário enquanto seguia meu caminho entre às luzes dos postes.

           Enganam-se aqueles que pensam que faculdade é um período da vida que servirá apenas para te ensinar os fundamentos básicos de uma profissão. Te ensina a ser uma pessoa melhor. Te apresenta pessoas marcantes. Teve uma garota que conheci que tem uma coruja de estimação. Pensei que fosse ela à jovem no carro que passou por mim na rua.

Parece que à bela ave se alimenta de poesia. Faz sentido. Simboliza sabedoria. O que mais me atraía naquela garota não era o jeito tranquilo dela. Era à forma carinhosa como ela tratava todo mundo. Olhava nos olhos. Não reparava em cor de íris, cabelo, cor de pele, roupa, crença religiosa ou opção sexual. Todo mundo para ela era igual e merecia respeito. Uma das poucas pessoas que conheci até hoje na minha vida que sabe se por no lugar do outro. Possui algo nobre e cada vez mais raro, empatia.

À coruja que ela possui é tão bela que uma vez virou desenho no envelope de uma carta. Pra compensar à letra feia de canhoto, algo bonito tinha que se destacar entre aqueles rabiscos de caneta preta. À primeira vez que a vi foi bem tenso. Foi dentro de um furacão. Bem no meio do meu estômago. O pessoal tem a audácia de dizer que só japonês e americano que sofre com tornado e esse tipo de coisa. Saudade daquela segunda-feira que foi atípica na minha vida.

Era bastante amorosa também e “tipo” como ela gostava de dizer na aula, tinha uma reserva de amor. Algo que falta bastante neste mundo hoje, amor. Pensamento muito espontâneo e rápido. Vai se dar muito bem se for para o caminho do rádio. Gostava de mudanças, talvez por ser de gêmeos nunca estava igual. Sempre tinha algo de diferente nela. Amava arte e cultura. Cinema pra ela é vital.

Faz tempo que não vejo ou falo com ela. Tem dias que morro de vontade de mandar um recado pra ela. Saber o que ela está fazendo da vida. E acabo morrendo mesmo. Tenho receio de estar incomodando quando ela está pensando em algo que vá deixar o mundo um lugar bem melhor. À última vez que vi ela foi no “G1 em 1 Minuto”. Tava na cozinha vendo TV e ela apareceu apresentando o jornal. Foi em sonho. Também vale.

Quando ela usava um All Star azul caindo pro roxo, era demais. Algumas pessoas passam por nossa vida e não influenciam ou somam em nada. Algumas até tiram. Outras são neutras. Raras são aquelas que marcam nosso caminho como a leveza de uma marca de pegada na areia. A onda do mar vai passando, e passando, e aquela marca fica lá. Não desaparece. Nesse caso é ótimo. Dá uma doce nostalgia. Saudade dos tempos de faculdade. Saudade de  conhecer pessoas assim. Não é toda hora. Terminei minha caminhada e já estava escuro. Dia chato. O que salvou foi essa lembrança.


Achou à coruja bonita...

Então espera...

Pra ver ela de All Star...




Rafael Marques de Bem é Jornalista, Radialista (diz ele).

Apaixonado por música retrô e entretenimento. Já foi pego pondo carta embaixo da porta.  

E diz que mais legal que fazer rádio é divertir e fazer rir quem está te ouvindo!

Foto original: urbanarts


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