Menu

Mulheres de Santa Maria se unem em carta aberta contra a desigualdade de gênero.

03 ABR 2018
03 de Abril de 2018

A página do Grita (festival de arte feminina de Santa Maria) no facebook, compartilhou no domingo, uma carta aberta em repúdio a diferenciação de prêmios entre homens e mulheres realizado no Avenida Tênis Clube de Santa Maria.


Confira a carta completa abaixo:


Na última Copa Docelina de Tênis Etapa 1 Super Tênis RS, realizada no Avenida Tênis Clube (ATC), conhecido clube santamariense, nós mulheres nos deparamos, novamente, com a chocante e entristecedora realidade que é ser mulher e atleta: a discrepância nas premiações para primeiro lugar entre homens e mulheres. É sabido que, mundialmente e em diferentes espectros da sociedade, mulheres ganham menos que homens e estão sempre batalhando contra esta absurda desigualdade, porém quando nos confrontamos com uma premiação 28 (VINTE E OITO) vezes menor que a ofertada ao masculino, mesmo pagando igual valor pela inscrição na competição e a entrada para assistir ao evento ser gratuita, vimos uma urgência de escancarar essa situação e repudiar publicamente a posição do clube referente a estas premiações.


No mesmo mês em que as mulheres organizaram, pelo mundo inteiro, greves e manifestações contra o machismo, racismo, LGBTfobia e a exploração capitalista, levantando bandeiras como a desigualdade salarial entre homens e mulheres, o mesmo clube que se preocupou em fazer eventos internos para “participação e protagonismo feminino”, nos desmerece e nos humilha, colocando a nós um prêmio de R$250,00, enquanto homens ganham R$7 mil reais . Nós estamos exaustas de termos nossa pauta roubada para a promoção de um falso protagonismo feminino, enquanto somos 28x MENOS valorizadas. Queremos ser respeitadas durante todo o ano, todos os eventos e todas as competições. Nossa prática esportiva também deve ter o mesmo valor que a dos atletas do “sexo masculino”. Como podemos pensar numa sociedade que incentiva o esporte, quando apenas uma parte das(os) atletas é incentivada a permanecer nele?


É um absurdo que um clube que carrega no nome o Tênis, desconheça a história deste e do início da Women’s Tennis Association (WTA), associação esportiva internacional que organiza competições profissionais de tênis feminino, a qual foi criada por mulheres a partir da indignação das atletas do circuito feminino profissional devido a HUMILHANTE diferença das premiações entre homens e mulheres. É vergonhoso que em pleno 2018 ainda tenhamos que batalhar pelo reconhecimento nesse espaço, que também é nosso, e que possui grandes tenistas como Billie Jean King, ativista feminista lésbica e uma das melhores atletas do mundo, lutando desde a década de 70 por maior reconhecimento e prestígio das mulheres neste esporte. É revoltante e entristecedor, também, que no país de Maria Esther Bueno, vencedora de 19 títulos de Grand Slam, consigamos apenas vislumbrar Guga, detentor de 3 Grand Slams e também grande atleta brasileiro. É de uma infelicidade imensa que grandes clubes propaguem esta negligência em relação ao esporte praticado por mulheres, principalmente por abordar um espectro micro-social que contempla, por consequência, meninas novas e desde cedo reforça a ideia social imposta de que valemos menos que os meninos.


O Avenida Tênis Clube argumentou que a diferenciação nos valores da premiação é devida a participação de atletas masculinos profissionais e poucas mulheres inscritas na competição feminina. Mas, a participação de atletas masculinos profissionais é consequência do incentivo da premiação de R$ 7 mil reais e a pouca participação feminina consequência da falta do mesmo. Sendo R$ 75,00 o preço igualitário para se inscrever na competição, mais finanças para viajar até a cidade e se manter durante os dias do evento, é absurdo acreditar que o valor da premiação de R$ 250,00 seja chamativo para tenistas profissionais da categoria feminina se inscreverem e cubra todos os gastos necessários .

Dessa forma, nós mulheres exigimos que nossa história no Tênis seja respeitada pelo Avenida Tênis Clube. Queremos uma retratação pública e um sincero pedido de desculpas para as mulheres tenistas e não tenistas por essa desrespeitosa desvalorização de nossa prática enquanto atletas. Exigimos também que nos futuros circuitos e competições o clube se comprometa a estabelecer um prêmio igualitário para ambas as categorias, sem nos desvalorizar em relação aos competidores homens. Chega de termos nossa prática esportiva desmerecida. Somos mulheres e somos atletas.”

 

Confira AQUI o post original,

Para quem quiser assinar a nota, por favor, enviar inbox para a página do Grita.


Imagem na publicação/crédito: educabrasil

Voltar
Tenha também o seu site. É grátis!