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Forjar a Chave

02 ABR 2018
02 de Abril de 2018

Caminhando na rua esses dias, vi uma baita árvore no pátio de uma casa. Era um senhor pé de goiaba. Era muito alto e tinha muitos frutos. Poderia matar a fome na África de tanta goiaba que tinha nele. Me fiz a seguinte pergunta: Se uma pequena semente não tivesse sido plantada naquele espaço, está gigantesca árvore teria a oportunidade de crescer e dar esse monte de frutos? Creio que não.

Tudo é questão de oportunidade. Mas como ter essa chance de crescer feito pé de goiaba se muitas vezes portas não são abertas? Posso ter martelado uma barra tosca de aço até extrair dela uma pequena chave e nunca ter a fechadura chamada oportunidade para encaixá-la.

Talvez o dono da porta seja receoso ao trabalho do ferreiro ou naquela porta não cabe mais nenhuma chave. Creio que o segredo da porta seja compatível à qualidade do trabalho de cada um. Que oportunidade uma pessoa vai ter de começar uma carreira profissional ou algum projeto pessoal se ninguém estender uma mão para ela. Que oportunidade uma pessoa que cometeu um erro na vida vai ter se ninguém der a ela uma chance para ela evoluir como ser humano. Até hoje não consegui descobrir se é falta de confiança, egoísmo em ver alguém crescer ou falta de um bom QI.

Não me refiro ao quociente de inteligência. É o quem indica. Famoso padrinho ou pistolão como diz minha avó. Essas expressões devem ter ligações com filmes de mafioso ou gângster. Padrinho remete ao Poderoso Chefão, e pistolão, me lembra aqueles criminosos de filmes como Os Intocáveis, que apareciam vestindo terno riscado de giz, chapéu Panamá e portavam uma metralhadora de disco.

Vejo muita gente talentosa sem oportunidade. Vejo muita gente medíocre pegando à chance de quem merece. Não digo mediocridade de ser uma pessoa ruim ou algo do tipo. É sobre ser aquele profissional “faz nas coxas”, mas que está ali por que muitas vezes é primo do primo do primo do primo de beltrano. Ou como dizem, é “bruxinho” do fulano tal. Isso acontece no mundo todo. Não só no Brasil, capital da sacanagem e corrupção.

É impossível alguém que trabalhe com tanto empenho não conseguir chegar onde pretende. Uma hora, alguma alma caridosa aparece e te abre à porta. Vai levar muita portada na cara e martelada nos dedos forjando tua chave? Claro que sim. A oportunidade tu crias com tua dedicação e esforço. Sempre haverá mais de um caminho para e se chegar onde deseja.

Encerro esse texto com uma citação do Guimarães Rosa na obra Sagarana, que resume a ideia principal do que escrevi:

“(...) Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria… Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.”

 


Rafael Marques de Bem é Jornalista, Radialista (diz ele).

Apaixonado por música retrô e entretenimento. Já foi pego pondo carta embaixo da porta.  

E diz que mais legal que fazer rádio é divertir e fazer rir quem está te ouvindo!


Foto: http://makingadreamcometrue.org/

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