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A paixão post-rock da "A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante"

12 FEV 2018
12 de Fevereiro de 2018

Na crescente cena de bandas instrumentais brasileiras como Iconili, Ruído m/m, A Banda de Joseph Tourton, Bixiga 70, Kalouv, Ema Stoned, Nômade Orquestra, Quarto Ácido, SLVDR, os veteranos do Hurtmold e Macaco Bong, e aqui no sul, muito bem representado pela Pata de Elefante, só para citar alguns nomes, descobri "E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante", banda da qual falarei hoje

A banda paulista foi formada em 2012, por Lucas Theodoro na guitarra, Luden Viana na outra guitarra, Luccas Villela no baixo e Rafael Jonke na bateria. 
Teve bastante destaque no cenário independente e na mídia musical com o lançamento do EP "Vazio" em 2014.
Um EP homônimo (2013) e os singles "Luz Acesa" (2014) e "HIP 13044b" (2013) completam a discografia do grupo.
Em 2016, o sete polegadas Medo de Morrer | Medo de Tentar levou o grupo para diversos estados brasileiros e foram indicados para o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) na categoria "Artista Revelação", ao lado de grandes nomes como Mahmundi e Mc Carol.

Troquei um papo via messenger para conhecermos mais da banda!


Quando e com qual intuito a banda foi formada?

Começamos a tocar em 2012 com uma formação que nunca chegou a fazer shows. O Danilo, primo do Luden, tocava baixo nessa época. Logo no começo rolou uma pausa involuntária devido a trabalhos/vida pessoal de todo mundo. Em 2013 o Mama assume os baixos e daí pra frente a banda se tornou muito mais ativa.
O intuito era o mais simples possível: tocar. Na época, a antiga banda do Luden e Rafa tinha acabado de se desfazer e eles estavam procurando gente pra formar um projeto instrumental. Eu (Theodoro) não tocava guitarra em uma banda há muito tempo e fazia faculdade com o Luden. Mas o lance sempre foi “vamos nos juntar pra tocar umas músicas sem ter ninguém cantando” hahaha.

Qual o significado do nome “E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante”?

Foi uma frase que surgiu do Luden enquanto voltava de ônibus pra casa. Era pra ser o nome do nosso primeiro EP e acabou virando o nome da banda mesmo. É meio interpretativo, né? Depende da pessoa que vê o nome, do momento... Acho que dentro da própria banda cada um enxerga o nome de um jeito.

Como vocês veem hoje o cenário da música instrumental no Brasil?

A gente sempre se deu muito bem em rolês que não eram de música instrumental. Acho que isso foi muito importante para nem pensar em construir algum tipo de barreira de “nossa, mas não tem ninguém cantando” e, ao mesmo tempo, muito natural. As bandas amigas que nos ajudaram muito tinham letras e vocalistas e a gente não. E tudo bem, sabe? Haha...
Claro que com o tempo acabamos conhecendo mais bandas instrumentais e ficando próximos. Ano passado tocamos no PIB (festival instrumental) e participamos de um projeto do SESC dedicado à música instrumental também.
Rola uma pluraridade de sons nas bandas instrumentais ativas aqui no brasil. Desde SLVDR, Salvage e Odradek que são mais da linha do math, passando pelo Mahmed que é um som mais tranquilo, Hurtmold com muita coisa de jazz, até chegar num Labirinto e outras bandas mais pesadas. Destacaria muito a Ema Stoned, possivelmente a banda mais ativa no momento e que tem um show lindasso.

Como a banda se mantem na ativa fazendo shows e novos trabalhos em um país em que cada vez temos menos recur$os para cultura? 

Nós temos a sorte de ter um selo que trabalha a parte de shows e outras oportunidades. É uma parceria que tem nos feito muito bem em termos de planejamento e oportunidades. A questão é que boa parte dos recursos só vêm quando você está na estrada e, atualmente, nós estamos entre o final da excursão do show antigo e a composição do trabalho novo. Ou seja, cada um tem que se virar pra continuar pagando as contas com outros trabalhos até termos o disco novo para poder voltar a tocar mais ativamente. Não que em qualquer momento a banda tenha sido a única fonte de renda de qualquer um aqui. Mas não foram poucas as vezes que a frase “nossa, esse mês a banda me salvou” foi dita hahaha. Mas o lance é se manter organizado e produzindo. Os amigos do Gorduratrans, por exemplo, lançaram o segundo disco ano passado que foi inteiro gravado com a grana que conseguiram de streaming do primeiro disco deles. Motivos pra não ter uma banda existem inúmeros, acho que o importante é lembrar constantemente o motivo pelo qual isso é feito e se agarrar nisso.  

Da para fazer um resumo de lugares bacanas que já tocaram e qual foi o mais legal?

Acho que essa lista varia muito entre nós. Tem desde os lugares que com certeza nos formaram enquanto banda como o Espaço Cultural Walden (que era basicamente um porão no centro de São Paulo, mas era o melhor porão possível) ou o Bar do Zé, em Campinas, onde tocamos inúmeras vezes e fizemos muitas amizades, até lugares que tem um brilho muito especial pelo peso que carregam, só de lembrar que nós esgotamos a choperia do SESC Pompeia, o teatro do SESC Consolação e o CCSP chega a dar um nó na garganta.
Fora isso, viajar é sempre uma desculpa boa pra encontrar pessoas queridas que moram longe e tocar em lugares incríveis. Lembro da primeira vez que a gente foi tocar em Curitiba e tinha um mano com a camiseta da banda na fila, alguém que tinha comprado pela internet a camiseta e, de repente, todo mundo estava no mesmo espaço afim de dividir a mesma coisa. Fora as cidades que fomos por causa de festivais ou produção local. Uma bela madrugada estávamos tomando cerveja na beira de uma praia em João Pessoa. Nunca nenhum de nós tinha ido pra João Pessoa e o único motivo de estarmos ali são as músicas que nós fazemos juntos. É o tipo de coisa que emociona mesmo quando você para pra pensar.

Deixem um recado para o pessoal que está conhecendo o som de vocês agora!?

Pô, esperamos que vocês gostem do som hahaha. 

Por Edson Kah
Foto: Daniel Moura

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