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Documentário traz relatos e dados sobre as mulheres na arbitragem

09 JAN 2018
09 de Janeiro de 2018

Impedida? Ainda são muitos os espaços em que a mulher precisa batalhar para conquistar representatividade e credibilidade. Em meio ao mundo esportivo, por questões culturais e históricas, as mulheres ainda esbarram em muitos preconceitos, no machismo e  na falta de incentivo para alcançar determinados espaços. Mas nada disso impediu Rosana Ruviaro de deixar a marca de seu trabalho no Jornalismo Esportivo, na Arbitragem, na Pesquisa Acadêmica e no Audiovisual. Ela reuniu todas essas paixões no tão “temido” TCC, produzindo o documentário IMPEDIDAS? A MULHER NA ARBITRAGEM DO RIO GRANDE DOSUL. Ela traz depoimentos, dados, questionamentos e as próprias experiências, pois além de foca no jornalismo, Rosana também encara os gramados como árbitra assistente, sendo a única a exercer essa função na fronteira oeste do Rio Grande do Sul - miga, pisa menos!

Você não pode deixar de assistir esse doc., pois EU QUERO VER VOCÊ DORMIR COM ESSE BARULHO!


Além disso, procuramos saber tudo que rolou nos bastidores do documentário e as convicções da Rosana nessa super entrevista:


Pódio: Como você alinha sua paixão pelo jornalismo e pelo futebol?

Trabalhar com o que a gente gosta é maravilhoso! Conseguir retratar em um Trabalho de Conclusão meus conhecimentos sobre futebol e minha habilidade com comunicação fez o trabalho fluir, eu e ele - TCC - nos amamos do início ao fim! Entrei no curso justamente para tentar me aproximar ainda mais do futebol, visto que nunca fui habilidosa com os pés. Alinhar as duas paixões só me fez ter essa certeza: quero trabalhar com os dois pelo resto da vida!!!

Pódio: Por que você decidiu retratar a temática sobre mulheres na arbitragem no formato de documentário no TCC?

A escolha do documentário se deu primeiramente pelo meu gosto em audiovisual e, posteriormente, pela proximidade com minha orientadora, a professora Sara Feitosa. Desde que ingressei no curso e principalmente depois que abrangi as outras áreas da comunicação (em função dos projetos que trabalhava na Unipampa – Universidade Federal do Pampa), sempre tive muito gosto por esse ramo de atuação. Produzir o documentário foi um desafio, visto que trabalhei com outros programas e demais funcionalidades que não havia utilizado ainda. Foi uma escola!

Pódio: Como foi a busca pelos dados apresentados no documentário?

Assim que comecei a trabalhar com arbitragem me interessei em saber sobre a história da mulher nessa atividade. Os primeiros passos da pesquisa foram dados por volta de outubro de 2016, quando fiz a primeira tabela contabilizando o número de mulheres e homens em cada Federação. Depois passei aos números da CBF. Depois tive que refazer, pois a nova temporada começou e os dados se modificaram (risos).

Foto: Zelo Marketing
 

Pódio: Na sua opinião, porque ainda encontramos muitas manifestações machistas na mídia e no futebol no tratamento de mulheres na arbitragem?

O estranhamento da mulher na arbitragem e algumas avaliações estão impregnados na sociedade. Talvez isso nem represente o machismo, mas sim o espelho infeliz desse ambiente tão restrito que ainda vemos. Como eu ressalto muito na parte teórica do TCC, as discussões em torno de gênero e futebol existem, mas tratando da mulher enquanto desportista. Os estudos acadêmicos sobre mulher em cargos de chefia na modalidade são extremamente escassos, pois ainda é um tabu. A passos lentos, vamos tentando modificar isso e mostrar que a mulher pode e deve ocupar todos os lugares dentro do estádio: seja ela como jogadora, árbitra, massagista, técnica, dirigente de clube, jornalista, torcedora, vendedora de pipoca na arquibancada, todos os lugares!

 

Pódio: Quais conclusões você destaca a partir do trabalho realizado?

A partir das entrevistas e da pesquisa pude concluir duas coisas: sim, existem impedimentos contra a mulher na arbitragem; e, sim, também, essa não é uma atividade muito procurada por nós. Infelizmente aqui na Fronteira Oeste ainda sou a única a exercer a função da arbitragem. Embora o espaço esteja aberto, as mulheres não estão procurando e isso pode se dar justamente pelas imposições sofridas por tanto tempo e pela repercussão negativa que árbitras tiveram, infelizmente, na mídia por tanto tempo. Também percebi que o espaço também é restrito quanto a raça. Não tive nenhum entrevistado negro. Motivo? Não existem jornalistas esportivas negras, nem árbitras negras aqui no Estado. Esse sim é um público inexistente. Essa discussão geraria outro TCC! Que eu adoraria escrever, inclusive.


Pódio: Quais suas percepções com relação a diferenciação de gênero vivenciando experiências como jornalista e como árbitra assistente?

Venho de uma família que não vive na miséria, branca e que se criou no futebol. Minha avaliação é muito singular, não posso representar nem 1% das mulheres nessa discussão, pois as características mencionadas "abrem as portas" (mesmo que a mídia e a sociedade machista/racista queira esconder isso!). Hoje nós temos cursos específicos para mulheres na arbitragem, mas dados "obscuros" como, por exemplo, existir uma altura mínima para ser árbitra principal, revelam que os órgãos competentes ao exercício da atividade motivam por um lado e impedem por outro. Ainda bem que no jornalismo o caminho já tem bem mais igualdade. Estamos inseridas há mais tempo e - quase - ninguém mais estranha ver uma mulher comentando futebol (desde que seja estilo Renata Fan, mas ok). O caminho para quebrarmos essa desigualdade é através do trabalho. Discutir teoricamente e academicamente, além de mostramo-nos inquietas e competentes no mercado de trabalho farão com que, em algum dia, tenhamos espaço igual. É um sonho.

Foto: Louise da Campo

O PÓDIO É DELAS: a voz das mulheres no esporte tem espaço garantido!

Programa de rádio apresentado ao vivo toda quarta-feira às 21h na Web Rádio Armazém.
Apresentadoras: Andreia Maidana, Carol Siqueira, Renata Medina e Tamara Finardi

Contatos:
(55) 9 9217.2091 (WhatsApp)
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