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Amar e Mudar as Coisas: Daíra interpreta Belchior em novo álbum

06 SET 2017
06 de Setembro de 2017

“Daíra canta Belchior muitíssimo bem. Gosto muito de ouvir as interpretações de Daíra, canta a obra toda de Belchior” - ELBA RAMALHO

"A poesia de Belchior adentra nossos ouvidos sem filtro ou empecilho; [...] e revela Daíra, com todo seu frescor, como a maior intérprete que o autor já teve” - DUDA BRACK

Uma das vozes mais promissoras da nova música brasileira, Daíra coroa o espetáculo que apresenta nos palcos há mais de um ano com o aguardado álbum “Amar e Mudar as Coisas”. Ao celebrar o cancioneiro de Belchior em arranjos intimistas, a cantora mostra toda a crueza e intensidade de sua interpretação após shows com ingressos esgotados, os bem-recebidos singles “Coração Selvagem” e “Alucinação” e uma série de vídeos ao vivo. Agora é hora de conhecer o resultado completo dessa jornada de maturidade artística, em um lançamento do selo Porangareté.


Tomando para si a ideia de que mudar as coisas lhe interessa mais, Daíra recria canções já clássicas como “Paralelas” e “Apenas um Rapaz Latino-Americano” sem recorrer ao lugar-comum. Aos versos tão conhecidos de letras marcantes, ela traz a candura, a entrega e a força de suas interpretações, embaladas pelo violão de Rodrigo Garcia (que ainda assina produção, direção musical, mixagem e masterização) e pela guitarra de 12 cordas de Augusto Feres, que também acompanham a cantora nos palcos. “Amar e Mudar as Coisas” é fruto desse mais de um ano de apresentações do show “Daíra Canta Belchior” e extensas pesquisas musicais.

“Eu mergulhei realmente de cabeça nessas letras e mensagens e são elas que quero passar ao cantá-las. Belchior era crítico, filosófico, poético, profético, mas romântico também. É tudo o que eu procuro em um compositor, para eu poder expressar minhas ideias. Eu estava preparando um segundo disco de músicas originais, mas fui arrebatada pela proposta de cantar Belchior para as pessoas... Quis compartilhar o que eu estava ouvindo e me encantando mesmo. E, principalmente, fazê-las ouvir não só versões novas de músicas antigas, mas também como essas ideias e frases se encaixam no nosso momento político, social e humano hoje”, conta Daíra.



Em um total de 10 faixas, o repertório passeia por alguns dos principais momentos da discografia de Belchior. “Alucinação” inaugura o álbum, entoando o verso que o batizou. “Coração Selvagem” traz uma declaração de amor rasgada e intensa, enquanto “Como o Diabo Gosta” representa o abandono de padrões e a escolha da liberdade. “Conheço o Meu Lugar” é calcada em raízes e regionalismo, noções também presentes em “Princesa do Meu Lugar. Em “Comentários a Respeito de John”, surge o lado Beatles de Belchior. Já “Divina Comédia Humana” surpreende por seu romantismo, enquanto “Jornal Blues ou Canção Leve de Escárnio e Maldizer” é mesmo literal, com sua letra irônica e inspiração blueseira. Por fim, “Paralelas” e “Apenas um Rapaz Latino-Americano” encerram mesclando a intensidade característica da obra de Belchior com a potência da voz de Daíra.


“Amar e Mudar as Coisas” sucede o elogiado álbum de estreia de Daíra, “Flor”, com o qual se apresentou em palcos da Dinamarca e de Nova York. O trabalho foi fruto de uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo. Produzido em grande parte por Daíra, o álbum contou com a participação de Roberto Menescal, Rafael Barata, Luiz Alves e Paulo Russo. As canções traziam influências da MPB e do jazz, e chegou a ser selecionado para o Prêmio da Música Brasileira, em 2015, sendo considerado um dos melhores do ano pela crítica.

Após projetos e viagens que a levaram também a países da América do Sul, Daíra encontrou uma confluência de interesses em Rodrigo Garcia, diretor artístico do selo Porangareté, que sugeriu um show e disco homenageando Belchior. “Sempre cantei músicas do Bel, desde a infância, e acabei espalhando esse meu gosto pelo poeta entre os meus amigos e compartilhando com eles essa ‘febre’. O Rodrigo deu a ideia de fazer releituras ao meu modo, e a partir de pesquisas, naturalmente o repertório surgiu, com as músicas que eu mais gostava de cantar”, conta.

Após mais de um ano de turnê, Daíra amadureceu sua voz de intérprete e se lança “Amar e Mudar as Coisas” olhando para o futuro munida dessas mensagens de Belchior, unida com os compositores e artistas de sua geração e já preparando novos voos, respeitando e recriando o passado no presente.

Show de lançamento

“Amar e Mudar as Coisas” ganha os palcos já no dia 20/09, quando Daíra realiza o show de lançamento no Teatro Rival, no Rio de Janeiro. Para celebrar o lançamento, a cantora recebe convidados especiais e, claro, Rodrigo Garcia e Augusto Feres. 

AMAR E MUDAR AS COISAS - O DISCO
A poesia de Belchior está viva e ativa - Por Duda Brack

O rapaz latino americano nunca esteve tão presente, mesmo com sua ausência física. No ano em que Belchior completa 70 anos de vida - e 40 anos do lançamento do álbum "Alucinação" - sua obra é revivida na voz da jovem e talentosa cantora Daíra.

Daíra Sabóia é natural de Niterói e iniciou sua carreira musical ainda criança. Teve contato desde muito cedo com a obra de Belchior através de seu pai, Carlos Sabóia. A ligação profunda da intérprete com a retórica do autor se ressignificou no contexto político que atravessamos, então surgiu a idéia de reacender este repertório em show intimista e visceral. A maturação do espetáculo trouxe consigo o ímpeto de gravar o disco, idealizado pela cantora ao lado do produtor musical Rodrigo Garcia (diretor artístico do selo Porangareté).

"Amar e mudar as coisas" foi gravado no estúdio Luperan, no Vale do Stuky, Lumiar (região serrana do Rio de Janeiro), em julho de 2016. O fato de voz e violão terem sido gravados ao vivo em uma mesma sala, sem click e sem edição, imprime uma organicidade muito grande ao álbum. Predominando a assinatura do violão exuberante de Rodrigo Garcia - que serve de estrada (e, em alguns momentos, atua como mola-propulsora) para Daíra trilhar e transportar toda carga poética presente no repertório escolhido, o disco conta com as participações dos músicos Alex Merlino (bateria), Augusto Fere (guitarra), Ismael (acordeon), Miguel Dias (contrabaixo) e Pedro Fonseca (teclados).

Totalmente apropriada de cada uma das canções - que lhes vestem de armadura e argumento - Daíra dá subsídio ao comprometimento de Belchior com a crítica social e política, e transita pela pluralidade do autor, trazendo, ao mesmo tempo, tom doce, ácido, profundo e irônico. Em "Amar e mudar as coisas", a intérprete se debruça com intensidade e coragem sobre estas canções, e a poesia de Belchior adentra nossos ouvidos sem filtro ou empecilho; escorrega através do canto forte, e, ao mesmo tempo, suave, da cantora - que nos fere, delicadamente - infiltrando os recantos mais adormecidos da alma da gente, e revela Daíra, com todo seu frescor, como a maior intérprete que o autor já teve.

Apesar da simplicidade com que é tecido, o álbum está imbuído de uma carga emocional grandiosa, potente, capaz de encostar no mais sublime da nossa sensibilidade, comovendo e provocando arrepios e lágrimas. A poesia de Belchior está viva, ativa.

Por Edson Kah via Nathália Corrêa / Build Up Media
Foto de postagem: Carolina Muait

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