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Nós, os Periféricos Politizados

08 NOV 2019
08 de Novembro de 2019

Dois irmãos e um amigo
Arrombam um diretório político
Pra fugir do frio e, pra fugir do frio
Queimam placas de campanha publicitária
Do candidato com as costas mais fracas
E as contas menos isentas
O companheirismo não é lógico
É fortuito e altruísta, quando exótico
O companheirismo nunca é descrito como é visto
Olho do altíssimo mundo
O companheirismo é como o amor
Nunca é descrito como vivido
Cheios de vinho e queijo roubado
Dois irmãos e um amigo
Se aquecem e combinam dominar a felicidade
Entre a anfetamina e o perfume de quem há muito dorme
Todas mães, todos pais, todos filhos
Perdem o ônibus e desesperam
Essa tristeza é tudo que herdam
É tudo que doam
Na periferia, os que não sonham, troçam os que sonham
Melancolia é único mel que as feridas aceitam
Depois de uma batalha com empregadores e pastores
As mãos friccionam o fogo
Esse é o jogo
Restolho de sopa no triângulo
Tão farsesco nosso ferrolho
Língua lambe-lambe olho néctar
Fulgoroso apreço mediúnico excessivo
A generosidade como atrativo
Toda amizade é um aviso.



Por Everton Luiz Cidade
Foto: Israel França
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