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Entrevista com Sandro Santos da Herculoid’s – Parte 2

05 MAR 2019
05 de Março de 2019

Sandro Santos tem uma das histórias mais bonitas e íntegras no hardcore/underground gaúcho. Segue a segunda parte da entrevista que fiz com ele. Lembrando: Optei por retirar as perguntas da publicação da entrevista, para que seja um papo fluido entre o leitor e o entrevistado.

Sandro ao vivo com a Herculoid's - foto: divulgação/facebook

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    O que me faz querer tocar, é o prazer de subir no palco e ainda sentir aquela vontade de expressar o que sinto e o que a vida tem me feito sentir nestes 43 anos, com momentos felizes e alguns tristes. Mas a vida é isso, num dia temos tudo e no outro não temos nada.
    No atual momento, o público de hoje me entristece. Não vai a shows, pois possuem mais facilidades cibernéticas do que antes. Em um clique, ouvem e sabem tanto, consumindo  vorazmente tudo, mas não absorvem a essência ou a arte no que podem adquirir.
    Na regra e etiqueta social cibernética, a imagem deve durar 10 minutos e a necessidade sensória auditivo, deve durar de 2 a 4 minutos. Se muito mais, torna-se cansativo e enfadonho para a juventude atual. Eu tenho 40 anos e já vi tanto modismo musical... bandas de uma música só.
    A música é aquilo que toca o teu peito feito bumbo, aquela letra que nunca sairá da tua cabeça. Isso é música. Mas, atualmente a cena musical sulista é uma repetição, as bandas repetem a velha fórmula cascaveletiana e tnteziana, quando não muito chupação de alguma banda gringa ou de músicas inexpressivas.


    Saibam, caros amigos, que enquanto tu não considerar o teu trabalho uma apresentação de expressão artística, tu não será nada mais que uma bandinha de garage, sem profissionalismo. Enquanto tu não agir como tal, será desrespeitado e não ganhará nada. Assim como público, como artista, como músico...toque, cante, sinta com o coração sempre, seja pra 10, 20, 30 ou 200 pessoas. Seja no lugar que for, faça o seu melhor, pois isso lhe renderá o boca a boca e convites que nunca esperou serem feitos, seja humilde e agradeça sempre tudo que lhe proporcionarem, pois amigos são poucos e esses serão eternos na sua vida.

    Nós dois somos de uma época aonde tudo era diversão, música e shows, talvez ninguém tenha ideia (de quem tu é, de onde tu vem, o que tu fez pra alcançar o que tu tens até o momento, pois a história poucos conhecem, ou tem interesse em saber), mas o projeto 10 mil era a reunião da Suely (mora em POA), Luiz Carlos (MOMO King), Miro (Laranja Freak), Eu (Herculoid’s), Monga (mora na Itália), Wilbur (Laranja Freak), Fernanda (Mora nos EUA),  com a simples ideia de reunir todo tipo de banda, ritmo, estilo e som em um show.

    No projeto, as bandas patrocinavam o próprio show. Nós apenas juntávamos as bandas que provavelmente não se juntariam pra um show. Sendo assim, reunimos  diversas pessoas de estilos diferentes, tanto no palco, como em público. Dessa junção surgiram bandas, projetos, amigos, zines, artistas, músicos e tantos formatos de artes. A expressão “panelinha”, não existia no projeto e foi levada até o seu final. Não tínhamos vínculos, amarras, partidos, éramos livres.

    Ter uma família, muda sua forma de ver o mundo, muda sua forma de sentir e viver. As suas preocupações tornam-se outras, você começa a ver tudo ao seu redor como um conto de Ana Maria Machado, onde devemos nós importar com quem somos, de onde viemos  e a história que construímos. Quando olho a minha volta, vejo que construí pequenos nichos. A minha vida é assim, em constante movimento e desenvolvimento. Muitos não sabem que estudamos, trabalhamos e que a música é a arte que pulsa com o seu coração. E que ter uma família é o que me torna uma pessoa melhor a cada dia. Sem eles (minha família), eu não seria quem sou hoje.

   
    Vivo o underground desde 1988, que pra mim se estagnou em meados dos anos 2000. Mesmo assim, vejo alguns focos de shows aqui e acolá, mas como nos anos 90, pouco eu vejo.     Creio que a herculoid’s é uma extensão de tudo que desenvolvi durante esses anos. Tivemos um hiato, mas voltamos pra tocar, gritar, pular e nos emocionar, pois ainda sentimos algo quando fazemos algum show.

Atualmente eu e o underground estamos meio afastados, pra pensar, estudar, escrever, compor. Se tu fica insistindo, tu desiste, pois tudo que tu faz independente, é 100% absorção, e o retorno muitas vezes não chega a 40%. É triste, mas no Brasil as coisas são muitos retrógadas e modistas. A gente tenta sempre se espelhar em gravadoras, bandas e pessoas da gringa. A gente acaba exportando nossas bandas pra fora, pois o mercado consumidor que deveria existir no Brasil, é inexistente. É tão pequeno, que poucos empresários conseguem sobreviver. A exemplo de alguns selos e marcas que vingaram, pra estes nichos comerciais, é uma luta diária, mensal e anual para manter-se em funcionamento.

Na trajetória, fiz tantas coisas, que parece que não fiz nada. Acho tão engraçado pensar que se passou tanto tempo e que hoje tenho 43 anos e que, desde os 15 anos toco em bandas, frequento shows...o que me orgulha é ter co-produzido a effect fish, ter feito o zine herculoides, a banda trimbou, a banda herculoid’s, ter tocado na 10k PNR, sido roadie do projeto 10 mil e uma noites, ter feito parte do projeto alternative attack. Realmente amava fazer esses lances.
    No atual momento ando com ideias de um livro de poesia (pronto), quero voltar a fotografar shows, quero gravar um disco guitarra e voz meu, fazer um projeto show de poesias, fazer o site da minha gravadora, criar meu selo, criar minha marca de roupas, são muitas idéias.
*Sonhar é sempre bom, concretizar é sempre bom, viver é sempre bom!!!! 

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